RIO DE JANEIRO — O advogado Victor Travancas afirmou que já foi expedido um mandado de prisão contra o deputado Douglas Ruas (PL), presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ). Segundo ele, o documento ainda não foi cumprido.
“Já faz aproximadamente uma semana que tem uma prisão para sair, que ainda não saiu, apesar de já ter o mandado”, disse Travancas em entrevista ao podcast “No Ritmo com Você”. O advogado declarou ainda que o prazo para cumprimento é de 15 dias e que prisões costumam ocorrer às terças ou às quintas.
Disputa pela sucessão
A situação de Ruas ganhou peso político após a presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, desembargadora Suely Lopes Magalhães, anular, em 26 de março de 2026, a votação que o elegeu presidente da ALERJ.
Travancas afirmou que o julgamento está previsto para o dia 18 e citou a regra de sucessão do governo estadual. Na avaliação dele, caso Ruas não esteja apto a assumir o cargo, o presidente do Tribunal de Justiça permanecerá no comando do estado.
O deputado foi secretário de Obras do governo Cláudio Castro. Travancas também associou Ruas ao ex-governador e afirmou que a prisão poderia ocorrer a qualquer momento.
Cláudio Castro
O Tribunal Superior Eleitoral manteve, em 2 de junho de 2026, a inelegibilidade de Cláudio Castro por oito anos. A decisão confirmou a condenação por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Castro renunciou em 23 de março de 2026. De acordo com Travancas, o ex-governador praticamente não sai de casa e estaria aguardando o avanço das investigações. O advogado citou apurações envolvendo a Operação Catarata, a Fundação Leão XIII, a Ceperj e a Sedai, além de um rombo estimado em R$ 23 bilhões nos cofres públicos.
Críticas à ALERJ e ao governo
Na entrevista, Travancas acusou a ALERJ de estar capturada pelo tráfico de drogas e pela narcomilícia. Ele também criticou a atuação dos deputados e defendeu uma intervenção para combater o narcoterrorismo.
Ex-diretor-geral do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, o advogado afirmou que documentos da ditadura militar e do Estado Novo foram perdidos por causa das condições do prédio. Ele disse ter alertado Cláudio Castro sobre o risco de desabamento.
Travancas também relatou que, como subsecretário de compliance do gabinete do governador, investigou funcionários fantasmas, contratos superfaturados, festas no Palácio Laranjeiras e irregularidades na Ceperj.
O próximo marco citado por ele é a decisão do Tribunal Superior Eleitoral, prevista para 18 de julho de 2026. Travancas sustenta que Douglas Ruas não teria condições de permanecer solto diante do mandado já expedido.









