A forma de consumir café pode ser tão importante quanto a bebida em si, segundo a nutricionista e naturopata Laure Hyvernat, PhD. Para ela, a escolha do café, os ingredientes adicionados e o horário do consumo influenciam os possíveis efeitos no organismo.
A opção preferida por Hyvernat é o café preto, sem açúcar ou leite, como espresso ou ristretto. A especialista afirma que essas versões são ricas em polifenóis e têm volume menor, o que pode reduzir a exposição do sistema digestivo. Lattes, cappuccinos e macchiatos não são necessariamente prejudiciais, mas devem ser avaliados conforme o tipo de leite, a frequência de consumo e as características de cada pessoa.
O que evitar na xícara
Hyvernat coloca o café solúvel entre as opções menos benéficas por causa do processo de torra, associado a maiores níveis de acrilamida e menores concentrações de polifenóis. O descafeinado também exige atenção: a versão produzida pelo processo Swiss Water pode ser uma alternativa, enquanto métodos químicos podem deixar resíduos.
Bebidas com xaropes, açúcar e aromatizantes, como pumpkin spice lattes e macchiatos de caramelo, também são desaconselhadas. De acordo com Hyvernat, elas podem elevar a glicemia e contribuir para o cansaço no fim da manhã.
No café com leite, a recomendação é evitar a combinação de cafeína e lactose para pessoas com intolerância ou distúrbios hormonais. Quando a bebida cremosa é mantida, a especialista prefere leite integral de boa qualidade. Entre as opções vegetais, ela indica bebidas sem açúcar à base de amêndoas, avelã ou coco, em vez das feitas com cereais, como o leite de aveia.
Horário e sinais de excesso
Hyvernat recomenda não tomar café em jejum. Ela também orienta esperar pelo menos duas horas depois de uma refeição, porque a cafeína pode reduzir em até 40% a absorção do ferro não heme. A pausa ideal, segundo a especialista, fica entre 10h30 e 11h.
A bebida também pode interagir com levotiroxina, alguns ansiolíticos e medicamentos para o coração. Por isso, a orientação médica individualizada é importante.
A dependência pode aparecer na necessidade de tomar café logo ao acordar, além de fadiga à tarde, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, alterações no sono e desejo por açúcar. “Quando o café se torna indispensável para funcionar, deixa de ser uma fonte de energia e passa a mascarar um desequilíbrio”, afirma Hyvernat.
A recomendação final da especialista é limitar o consumo a uma xícara de café por dia — ou até mesmo apenas uma por semana.








